Banho Frozen na obra da MRV Engenharia (e isso é só o menor dos casos de pracarização)

Tá frio no Rio, e o banho é gelado na obra da MRV Engenharia, no Rocha, Zona Norte da cidade, empreendimento Reserva Redentor.

Mas isso é só o início do flagrante do Sindicato no canteiro, em fiscalização nesta semana.

Um cenário de precarização extrema e desrespeito à dignidade humana tem marcado a rotina dos operários por lá. A empresa vem tratando sua força de trabalho como “copo descartável”, submetendo os operários a condições degradantes de higiene, alimentação e exploração funcional.

Os chuveiros quentes instalados no vestiário simplesmente não estão ligados. Sem água aquecida, os operários são forçados a tomar banhos gelados sob o frio. Essa omissão viola diretamente a Norma Regulamentadora nº 24 (NR-24) do Ministério do Trabalho, que estabelece a obrigatoriedade de água quente nos chuveiros em canteiros de obras para garantir o conforto térmico e a higiene básica do trabalhador.

Além disso, o acesso à água potável transformou-se em uma maratona de desgaste desnecessário. Devido ao péssimo dimensionamento dos postos de hidratação, operários que atuam nas fases elevadas da construção são obrigados a interromper suas atividades e descer até 14 andares apenas para conseguir abastecer um galão de água. A falta de bebedouros acessíveis fere as diretrizes de saúde da NR-24 e da NR-18 (que rege a segurança na indústria da construção), as quais exigem água potável e fresca disponível próxima às frentes de trabalho.

A exploração também assume contornos contratuais graves. Há registros de serventes que atuam há mais de um ano e quatro meses exercendo funções de alta complexidade e risco, como as de eletricista, armador e montador, sem receber a devida equiparação salarial. Desvio de função, que tenta driblar o básico da CLT.

A terceirização sem fiscalização agrava o quadro. Empresas subcontratadas pela MRV ignoram de forma contínua as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, sonegando benefícios. Será que a MRV faz vista grossa para esses abusos?

A denúncia escancara o abismo existente entre os discursos de sustentabilidade e responsabilidade social frequentemente divulgados pela construtora em suas campanhas publicitárias e a dura realidade de negligência vivida por quem, de fato, ergue as estruturas de seus lucros.

O Sintraconst-Rio segue mobilizado até que todas as irregularidades sejam sanadas na obra.