Bufê ou arma química? A epidemia de comida ruim nos canteiros de obra
Um problema grave vem se espalhando como uma verdadeira epidemia em canteiros de obra do Rio: a má qualidade da alimentação servida aos trabalhadores da construção civil.
Comida azeda, mal conservada, com insetos e sem valor nutricional adequado estão se tornando parte do cardápio servido a operários. E as consequências disso vão muito além de um simples desconforto estomacal.
Por trás dessa situação lamentável, está a lógica perversa de algumas construtoras que priorizam o lucro a qualquer custo. Em vez de garantir refeições de qualidade, optam por fornecedores de baixa qualidade, que servem alimentos precários para reduzir custos. O resultado? Trabalhadores mal nutridos, doentes e com baixa produtividade.
O Sintraconst-Rio há anos vem alertando as empresas sobre isso. E, há dois anos, incluiu na convenção coletiva um cardápio mínimo que as empresas devem servir aos seus trabalhadores na hora do almoço. No entanto, apesar de estar lá na convenção, e com força de lei, muitas empresas se negam a seguir o básico.
E, assim, a fiscalização do Sindicato aperta o certo contra os cantineiros das baratas, insetos e comida azeda. As denúncias chegam com frequência ao zap de denúncias do Sindicato (21 97033-5120), inclusive com fotos.

Perigos da alimentação ruim
A alimentação inadequada nos canteiros de obra não é apenas um problema de gosto ou conforto. Ela afeta diretamente a saúde e a segurança dos trabalhadores. Uma refeição de baixa qualidade pode causar desde distúrbios gastrointestinais até sérios quadros de intoxicação alimentar, colocando em risco a integridade física dos operários.
Além disso, a falta de nutrientes essenciais compromete o rendimento e a concentração. Um trabalhador que não se alimenta bem se torna mais vulnerável a acidentes de trabalho, aumentando os riscos dentro dos canteiros. Para a própria construtora, isso representa um prejuízo, pois empregados debilitados rendem menos e podem precisar de afastamento por doenças relacionadas à alimentação deficiente.
O que diz a lei?
A alimentação nos canteiros de obra é um direito dos trabalhadores e deve seguir padrões mínimos de qualidade. O Decreto nº 5.296/2004 e a Norma Regulamentadora NR-24 estabelecem regras claras para condições sanitárias e de conforto nos refeitórios. Além disso, a legislação trabalhista obriga as empresas a fornecerem refeições balanceadas e seguras.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma dieta equilibrada, com carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais essenciais. Servir alimentos de baixa qualidade é uma afronta aos direitos básicos dos trabalhadores e deve ser denunciado.
O Sindicato está atento a essa questão e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa. Os trabalhadores que enfrentam problemas com a alimentação fornecida devem denunciar. O sindicato atua junto aos órgãos competentes para garantir que os responsáveis sejam cobrados e que condições dignas sejam asseguradas.